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		<title>sistema límbico</title>
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		<title>Adamastores da Abstração</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 05:48:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Adamastores da Abstração Há três anos prometi a mim mesmo evitar o quanto eu podia o vestibular: passar por uma prova que avalia nossa capacidade cognitiva para ter a chance de estudar um objeto de interesse é um tanto traumático, sobretudo quando há a – grande – possibilidade de ser rejeitado. Neste ano, entretanto, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=370&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>Adamastores </em></h1>
<h1 style="text-align:center;"><em>da Abstração</em></h1>
<p><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2012/01/393988_344143168947205_100000545738716_1275282_1910578331_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-371" title="393988_344143168947205_100000545738716_1275282_1910578331_n" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2012/01/393988_344143168947205_100000545738716_1275282_1910578331_n.jpg?w=195&#038;h=300" alt="" width="195" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Há três anos prometi a mim mesmo evitar o quanto eu podia o vestibular: passar por uma prova que avalia nossa capacidade cognitiva para ter a chance de estudar um objeto de interesse é um tanto traumático, sobretudo quando há a – grande – possibilidade de ser rejeitado. Neste ano, entretanto, o assunto está sendo tão comentado, que não pude cumprir a promessa: o maldito Adamastor invadiu meu facebook.</p>
<p style="text-align:justify;">Para os desinformados, a prova de redação da UFRGS deste ano forneceu dados a respeito da língua portuguesa e citou, em um fragmento de texto, uma frase de um escritor moçambicano, que dizia “o mar foi ontem o que o idioma pode ser hoje; falta vencer alguns adamastores”. O fragmento continuava, explicando a metáfora do Adamastor, e em seguida veio a ordem para a dissertação: o vestibulando deveria ler três afirmações que, em suma, falavam que, percebendo o nosso idioma como “herança”, “memória” e “criação”, formamos uma identidade como Nação, podendo (esses três fatores) ser observados dentro de nós mesmos, nacionalmente e globalmente. A dissertação, portanto, deveria defender o porquê de algum desses fatores poder ser considerado um “Adamastor” para a língua.</p>
<p style="text-align:justify;">O tema é difícil. Por que raios algum desses fatores pode ser considerado um obstáculo à língua portuguesa? Tomar a língua como herança, memória e criação é justamente o que faz dela uma língua fantástica e tão rica! Percebam a ironia: é da herança, da memória e da criação que nasceu Os Lusíadas. Além disso, são nesses três fatores que nosso tão aclamado romantismo se assentou. E o que é Macunaíma, senão herança, memória e criação? Ora, qual é o problema em observar esses fatores em diversos âmbitos? A banca se enganou de personagem! Ela não quis dizer que são adamastores e, sim, vascos-da-gama!</p>
<p style="text-align:justify;">O que me surpreende, porém, é que a dificuldade não foi em discorrer sobre o tema, mas entender o que são os adamastores, apesar de, como já dito, a metáfora estar explicada no texto. É um problema que tenho observado há horas: a dificuldade na abstração. Em uma sociedade cada vez mais exata e regida por números, a metáfora tem se tornado matéria difícil de lidar. Reflexão é algo que não é privilegiado nas escolas: tudo o que temos de fazer é acumular algoritmos na cabeça: nosso sistema límbico, parte do cérebro responsável pelas emoções (e que dá nome a este blogue), está ficando atrofiado e pequenininho. Basta aparecer alguma novidade para que o pensamento fique impedido: o algoritmo não prevê adamastores – literalmente.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/370/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=370&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma Quase-Certeza</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2011 01:19:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma Quase-Certeza &#160; Já faz alguns meses que venho estudando estatística de uma maneira um pouco mais sistemática que antigamente. O motivo, para meus colegas da medicina, é simples, mas para os outros talvez nem tanto: nenhuma hipótese dentro da área da saúde é considerada uma verdade científica caso não seja testada e re-testada com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=365&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>Uma Quase-Certeza</em></h1>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://www.sjtresidencia.com.br/invivo/wp-content/uploads/2011/03/estatisticas2.jpg" alt="" width="262" height="243" /></p>
<p style="text-align:justify;">Já faz alguns meses que venho estudando estatística de uma maneira um pouco mais sistemática que antigamente. O motivo, para meus colegas da medicina, é simples, mas para os outros talvez nem tanto: nenhuma hipótese dentro da área da saúde é considerada uma verdade científica caso não seja testada e re-testada com amostras e modelos estatísticos. Ou seja, se eu der um remédio para um paciente sem saber que ele tem um real efeito – matematicamente falando –, eu corro o risco de estar prescrevendo algo que é uma “inverdade científica”.</p>
<p style="text-align:justify;">O que talvez assuste alguns estatísticos – mas principalmente os médicos – é o conceito dessa verdade científica dentro da saúde: só podemos dizer que algo tem efeito, caso eu faça um estudo em que há menos de 5% de chance de ele se dever ao acaso; por outro lado, só posso dizer que algo não tem efeito, caso eu faça um estudo em que há menos de 20% de chance de ele se dever ao acaso. Isso quer dizer que eu não tenho como ter certeza que aspirina é bom para dor de cabeça: eu só posso dizer que existe menos de 5% de chance de que a aspirina não seja bom para dor de cabeça. Pareceu chato? Mas nem é tanto.</p>
<p style="text-align:justify;">A parte legal é todos os efeitos que esses números causam. Um deles é uma expressão que eu próprio usei diversas vezes dentro do curso de medicina: uma quase-certeza. Afinal, podemos ter quase certeza de algo? Ou temos certeza, ou não temos. Parece lógico, mas não é. Por exemplo, eu posso fazer um estudo que diga que a cura de tal antibiótico para uma população está entre 80 e 85%. Se a gente se lembrar que, para eu falar isso, meu estudo tem que ter menos de 5% de chance de se dever ao acaso, a maioria de nós diz a seguinte frase: “Eu tenho mais de 95% de certeza que a cura deste antibiótico está entre 80 e 85%”. Noventa e cinco por cento de certeza? Só dói no meu ouvido?</p>
<p style="text-align:justify;">Até que não. Como eu disse, no meio da sistematização do meu estudo de estatística, deparei-me com a seguinte frase de um livro: intervalo de confiança não significa que temos 95% de chance de o valor real estar dentro dele; intervalo de confiança significa que 95% das amostras dessa população tem uma média dentro deste valor.</p>
<p style="text-align:justify;">Ou seja, não faz sentido (pelo menos dentro da minha cabeça) ficar dizendo que temos 95% de certeza de que um valor está entre esse e este. Temos que dizer que 95% das vezes um valor <em>vai estear</em> entre esse e este. Não é mais elegante?</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/365/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=365&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>As 500 melhores músicas dos Beatles</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 03:18:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[As 500 melhores músicas dos Beatles Não faz muito tempo, um amigo meu resolveu-me contar, com empolgação, que lembrara de mim ao ver uma revista dedicada à minha banda preferida – pelo título do post, vocês devem imaginar qual é –, sendo que a reportagem de capa era “As 500 melhores músicas dos Beatles”. Assim [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=360&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>As 500 melhores </em></h1>
<h1 style="text-align:center;"><em>músicas dos </em></h1>
<h1 style="text-align:center;"><em>Beatles</em></h1>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/10/beatles.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-361" title="Beatles" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/10/beatles.png?w=222&#038;h=300" alt="" width="222" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Não faz muito tempo, um amigo meu resolveu-me contar, com empolgação, que lembrara de mim ao ver uma revista dedicada à minha banda preferida – pelo título do post, vocês devem imaginar qual é –, sendo que a reportagem de capa era “As 500 melhores músicas dos Beatles”. Assim como o leitor deve estar pensando, logo percebi que devia haver um erro nessa história: ou a revista ou – provavelmente – meu amigo deve ter se enganado nas informações, pois até onde eu saiba os Beatles não têm (nem de perto!) 500 canções no seu nome. E mesmo que tivesse (!), não seria prudente fazer uma lista das 500 melhores, faria? Porque, caso eles sejam autores de 540 obras, não seria melhor fazer uma lista das 40 piores?</p>
<p style="text-align:justify;">Não, não faria. Depois de rir da cara do meu amigo dizendo – olha meu topete! – que ele devia ter se confudido, ele me mostrou a tal da revista e, pasmem, ela existe. É uma revista de quinta categoria chamada “Supersongs”, que talvez ainda possa ser achada nas bancas de revista atualmente. De qualquer maneira, decidi sentar os pés no chão e coloquei a cabeça para funcionar: os Beatles na forma original foram de 1963 até 1970, iniciando com Please, Please Me e finalizando com Let it Be. Caso eles tenham feito dois discos por ano (o que, convenhamos, é um feito) e em cada disco tenham 20 músicas (vamos fazer de conta que cabem 20 músicas em um disco de vinil), eles teriam feito aproximadamente 280 músicas. Ah! Mas o White Album é duplo! Não importa, dá 300. As contas não fechavam.</p>
<p style="text-align:justify;">Abri a revista. De fato, estava lá uma explicação: os Beatles na sua composição original fizeram 283 músicas. Entretanto, para fazer a lista, eles utilizaram não só as músicas originais, como também as de antes da entrada do Ringo Starr na bateria. Além disso – e aí vem a cereja do bolo –, eles incluiram as músicas de outros compositores, mas que foram tocadas em shows e apresentações menores por eles. Um completo <em>nonsense</em> que culminou nessa bizarríssima manchete.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não é a primeira vez que eu me deparo com listas estranhas. “Os 10 mais interessantes e não-usuais artigos da Wikipedia”, “As 10 profecias que você não conhece”, “Os top 10 demônios do sexo”, “Os 10 palhaços com quem você não gostaria de se meter”, e por aí vai o barco. Entretanto nenhuma se compara com o topo da lista das listas mais esdrúxulas: um empate entre “Os 10 passos da alimentação saudável” e “Os 10 passos para uma amamentação bem sucedida”. Na verdade, elas não ganhariam a competição caso ensinassem a população a “como ter uma alimentação balanceada e com aporte adequado de calorias” e “como fazer com que seu filho seja amamentado de uma forma confortável para você e para ele”.</p>
<p style="text-align:justify;">O problema é que – além de não cumprirem seu objetivo – elas caíram não só em cima de nós, pobres estudantes de medicina, como em cima de profissionais experientes e que têm outras coisas para se preocupar! Há alguns meses cheguei em casa e me deparei com meu pai pedindo pra minha mãe ajudá-lo a decorar a segunda lista. Ao questioná-lo o motivo (eu não estava acreditando no que estava vendo), ele me relatou que o ministério da saúde vai ao hospital em que ele trabalha e pergunta para um médico aleatório algo como “qual é o 6º passo da amamentação bem sucedida?” e, caso o médico não saiba, o conceito do hospital cai na classificação do ministério. Pode? Além de saber a lista (que é recheada de baboseiras), tem que saber a ordem! Faça-me o favor! No dia em que resolvermos ensinar as pessoas a pensar um pouco em cima dos dados, em vez de fazê-las decorá-los indefinidamente talvez temos algum benefício nesta pindorama.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/360/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/360/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=360&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O que nos torna humanos?</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 01:26:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O que nos torna humanos? Em um curso como o meu &#8211; o de medicina -, lidamos com o ser humano constantemente através da identificação de patologias e o seu cuidado necessário; compreendemos a fisiologia normal do Homo sapiens sapiens e temos conteúdo para perceber o que é possível acontecer para que haja a perda da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=353&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>O que nos torna </em></h1>
<h1 style="text-align:center;"><em>humanos?</em></h1>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" title="Homem Vitruviano" src="http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/homemvitruviano.jpg" alt="" width="306" height="360" /></p>
<p style="text-align:justify;">Em um curso como o meu &#8211; o de medicina -, lidamos com o ser humano constantemente através da identificação de patologias e o seu cuidado necessário; compreendemos a fisiologia normal do <em>Homo sapiens sapiens</em> e temos conteúdo para perceber o que é possível acontecer para que haja a perda da homeostase (estado de equilíbrio do corpo humano); prolongamos nossas vidas, muitas vezes, em anos; conseguimos melhorar a nossa qualidade de vida; preservamos a nossa espécie. Apesar de tudo isso, poucos médicos sabem dizer quem realmente somos. Frutos da evolução? Frutos do Interesse Divino? Um anti-descartiano diria que nós nem ao menos temos como afirmar que existimos de fato. Veja só o paradoxo: nós conhecemos o funcionamento normal, a patologia, nós prolongamos a vida, melhoramos a qualidade de vida e preservamos a espécie de uma <em>coisa</em> que não sabemos o que é, se é que ela existe. Afinal, o que nos torna humanos?</p>
<p style="text-align:justify;">Quem pode tentar responder essa pergunta não sou eu e, sim um outro paradoxo: um dermatopatologista. Pois é, nada de psiquiatras, neurocientistas ou biólogos evolucionistas. Dono de uma retórica aprumada e de uma cultura excepcional, o professor André Cartell do Hospital de Clínicas, um dos poucos dermatologistas com também especialização em patologia &#8211; uma espécie rara fadada à extinção, segundo as próprias palavras -, foi convidado por nós, do Centro Acadêmico Sarmento Leite, a dar uma palestra na Semana Acadêmica com o fim de solucionar essa questão. O resultado é um texto belíssimo, que, apesar de ter 8 páginas (um tanto absurdo, diriam alguns, nesse mundo do Twitter), pode ser lido em uma sentada e nos dá uma lição de auto-conhecimento. Segue o link, e tenham bom proveito.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://pt.scribd.com/doc/56146319/O-QUE-NOS-TORNA-HUMANOS-%E2%80%93-UMA-VISAO-DARWINISTA">http://pt.scribd.com/doc/56146319/O-QUE-NOS-TORNA-HUMANOS-%E2%80%93-UMA-VISAO-DARWINISTA</a></p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/353/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/353/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=353&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Moça das Cores</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 04:45:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A Moça das Cores Assim como qualquer representante da minha geração – que, quando vê um filme dublado e escuta um introdutório “Versão Brasileira&#8230;”, o completa mentalmente, pensando “Hebert Richards” –, qualquer representante mais antigo (ou um jovem, porém antigo funcional, como eu), já prevê o nome de Natalie Kalmus ao ver um filme lá [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=345&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>A Moça das Cores</em></h1>
<p><em><br />
</em></p>
<p><em><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/05/natalie-kalmus.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-346" title="Natalie Kalmus" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/05/natalie-kalmus.jpg?w=264&#038;h=300" alt="" width="264" height="300" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Assim como qualquer representante da minha geração – que, quando vê um filme dublado e escuta um introdutório “Versão Brasileira&#8230;”, o completa mentalmente, pensando “Hebert Richards” –, qualquer representante mais antigo (ou um jovem, porém antigo funcional, como eu), já prevê o nome de Natalie Kalmus ao ver um filme lá dos anos 30 ou 40. Ele geralmente vem inscrito no pôster da obra, abaixo do logotipo da Technicolor, ou – quando discriminado – nas primeiras palavras que aparecem nos créditos ao fim do filme. Não tem erro: Em “&#8230;E O Vento Levou” o nome dela está lá. Em “O Mágico de Oz”, também. E em “O Fantasma da Ópera”, em “As Aventuras de Tom Sawyer”, em “As Aventuras de Robin Hood”, em “Por Quem os Sinos Dobram”, em “À Noite Sonhamos” (filme-biografia de Chopin, vale a pena assistir!), e em mais de 300 filmes da mesma época. O pior de tudo é que as informações a seu respeito são parcas. Quase nada se fala sobre ela, ou pelo menos sobre quem ela realmente era.</p>
<p style="text-align:justify;">A razão dessa lavagem cerebral da época pré-anos-dourados não era nenhuma censura tupiniquim varguista; na verdade era uma peça mal arranjada lá nas engrenagens hollywoodianas no que tangia o cinema a cores. Acontece que na década de 30 aprimorou-se definitivamente a tecnologia de colorização das produções cinematográficas: em vez de projetarem-se na tela dois filmes concomitantes – um em vermelho e outro em verde –, resultando em cores pobres e com pouco contraste, desenvolveu-se uma técnica chamada “tripack”, em que um espectro de três cores era misturado, formando cenas com cores vivas e brilhantes. Para isso, entretanto, alguns cuidados eram necessários: a luminosidade do estúdio deveria ser altíssima, para os filmes conseguirem captar a imagem; objetos diferentes e próximos deveriam ter cores diferentes para haver contraste e evitar uma fusão de corpos; protagonistas deveriam ter cores quentes, enquanto coadjuvantes deveriam ter cores frias, exigência da Technicolor para realce da cor. Todos esses cuidados, entretanto, não deveriam ser tomados pelo diretor ou produtor da película; eles eram cuidados por uma “produtora de cores”, uma profissão inventada pela Technicolor e que só tinha uma representante capaz de executá-la: a ex-mulher do presidente da empresa, a já mencionada Natalie Kalmus. Sendo assim, ao alugar os equipamentos da Technicolor, fazia parte do “pacote” a contratação compulsória de Natalie;  ou seja, ou ela trabalha, ou o filme fica em preto-e-branco.</p>
<p style="text-align:justify;">O problema é que a Srta. Kalmus era uma chata, para não dizer coisa pior. Preocupada com detalhes fúteis – e muitas vezes tendenciosas pelo seu próprio gosto pessoal –, a moça não hesitava em dar pitacos em qualquer besteira do filme, enlouquecendo todos os diretores de Hollywood. Um deles chegou a dizer que “Se Walt Disney fosse também forçado a seguir suas diretrizes, os pálidos lábios róseos de Branca de Neve teriam mordido uma maçã verde como a espuma do mar”. O diretor Michael Curtiz estava querendo a horas cores muito brilhantes e vivas e, como a intrometida gostava de cores mais pálidas, ela o advertiu: “Seu filme ficará parecendo uma história em quadrinhos!”. Ele insistiu: “Mas é exatamente isso que eu quero!”. Já o diretor de “&#8230;E O Vento Levou” falou que “os especialistas da Technicolor parecem que adoram colocar qualquer tipo de obstáculo em detrimento da verdadeira beleza”, após uma clássica briga em que Natalie implicou com a cor “amora” do quarto da protagonista do filme, Scarlet O’Hara. Allen Dwan era mais taxativo: “Natalie Kalmus era uma vadia”.</p>
<p style="text-align:justify;">Diziam as más línguas que a Technicolor só a contratava compulsivamente porque o presidente a queria o mais ocupada possível, para evitar incômodos na sua vida pessoal, após o divórcio com a musa da pentelhice, em 1922. Pode ter um fundo de verdade, pois, após a briga com Selznick – em que, graças à sua influência como diretor, conseguiu expulsá-la para a Inglaterra, durante das gravações de “&#8230;E O Vento Levou” – Natalie começou a perder espaço dentro da empresa, o que culminou em um processo aberto por ela em 1948 e na sua demissão no mesmo ano. Como não ganhara nem um tostão nos processos, começou a apelar nas audiências: “Eu não agüento mais! Meu Deus, meu Deus! Nenhuma corte me dará nem um pingo de justiça?!”. Uma grande saga. Não ganhou nada. Acabou a vida fazendo designs para televisões, não obtendo um décimo do sucesso que obtivera anteriormente.</p>
<p style="text-align:justify;">Perdeu para a chatisse. Não só na vida, como na morte. Se sua memória permanece quase esquecida nos dias de hoje, é porque só a menção do seu nome causa arrepios em qualquer diretor de Los Angeles.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/345/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=345&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Doença, doença minha</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 23:19:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Doença, doença minha É prática na grande maioria das faculdades de medicina do mundo que os alunos terceiranistas iniciem, finalmente, o convívio – e todos os outros sentimentos colaterais a esse convívio – com pacientes à beira do leito, perguntando-lhes a respeito de suas moléstias, aflições, medos, e tentando corrigir aquilo que possa trazer qualquer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=335&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>Doença, doença </em></h1>
<h1 style="text-align:center;"><em>minha</em></h1>
<p><em><br />
</em></p>
<h1 style="text-align:center;"><em><br />
</em></h1>
<p><em><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/04/bacteria-ecoli.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-336" title="bacteria-ecoli" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/04/bacteria-ecoli.jpg?w=300&#038;h=278" alt="" width="300" height="278" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">É prática na grande maioria das faculdades de medicina do mundo que os alunos terceiranistas iniciem, finalmente, o convívio – e todos os outros sentimentos colaterais a esse convívio – com pacientes à beira do leito, perguntando-lhes a respeito de suas moléstias, aflições, medos, e tentando corrigir aquilo que possa trazer qualquer tipo de desconforto a eles. Na UFRGS não é diferente, com a exceção de que é no fim do segundo ano – e não no início do terceiro – que começamos a lidar com pacientes, através da disciplina de semiologia, em que o convívio é muito mais artificial.</p>
<p style="text-align:justify;">Digo isso porque é somente no terceiro ano que os acompanhamos desde o início da internação até seu possível desfecho (que desejamos que seja a alta). É somente no terceiro ano que os estudantes conseguem ter uma mínima ponta de voz nas discussões de casos – ou <em>rounds</em> – para entender qual é a conduta a ser estabelecida e, quem sabe, até questioná-la. Pois bem, essa mudança abrupta que acontece na vida do acadêmico traz algumas conseqüências – pelo menos trouxe para mim –, que nos fazem perceber algumas sutilezas que muitos macacos-velhos não perceberiam.</p>
<p style="text-align:justify;">Por exemplo, nos <em>rounds</em>, diários, há uma clara tendência de otimização de tempo em qualquer aspecto, o que deixa qualquer estudante confuso. Como passei agora no módulo de cardiologia, não raro ouvimos os residentes falarem frases como: “o paciente fez um eco, mostrou uma FE de 40%, vegetações na mitral, foi levado ao CAT, mostrou uma oclusão da DA e da CX de 70%, colocaram dois <em>stents</em> e já se iniciou terapia com genta e amoxi”. O que parece já ridículo para quem acabou de sair do módulo, torna-se extremamente complexo, para quem recém entrou, metabolizar, em 10 segundos de frase, que a FE nada mais é que a <em>fração de ejeção</em> mostrada no ecocardiograma; que a DA e a CX são as artérias coronárias <em>descendente anterior esquerda </em>e <em>circunflexa esquerda, vistas no cateteterismo</em>; que “genta” e “amoxi” nada mais são que os antibióticos <em>gentamicina</em> e <em>amoxicilina</em> utilizados para tratamento de endocardite, suspeitado através das vegetações da “eco”.</p>
<p style="text-align:justify;">Não estou criticando os residentes: se é para otimizar tempo, que otimizemos na quantidade incessante de abreviaturas – que o professor entende – e não no atendimento com o paciente. A observação que eu faço é que os residentes têm tanta intimidade – esta é a palavra! – com as doenças, procedimentos e tratamento, que para eles é natural abreviá-las a seu bel prazer, pois todas as abreviaturas já fazem parte de sua rotina e seu vocabulário ativo. Seria a mesma coisa que uma pessoa fã do Paul McCartney fale “eu amo o Paul”, sendo que este poderia ser o Paul Gauguin, Jean-Paul Sartre ou até, se for uma pessoa de mau gosto, o Paul Rabbit! Mas para o fã do beatle é tão óbvio que estamos falando deste, que o vocabulário já está assimilado. O mesmo acontece com quase tudo na vida: acho que todos entendemos que, quando alguém fala que não gostava do Getúlio, a pessoa referia-se ao Getúlio Vargas; por outro lado, nenhum estudante de medicina estranhará que alguém fale que tem aula de “pato”, ao passo que os alunos da engenharia imediatamente pensarão num professor com um animal com penas no colo, com ele gritando “<em>quack, quack</em>” (enquanto na verdade queríamos ter dito que a aula era de patologia).</p>
<p style="text-align:justify;">O que me surpreende de verdade, entretanto, é que não são só os residentes que se tornam íntimos dos termos técnicos. Hoje, ao entrevistar uma paciente portadora de diabetes tipo I (que, via de regra, é aquele que a pessoa tem uma deficiência de produção de insulina, normalmente diagnosticada na infância), ela relatou-me que teve uma crise de hipoglicemia (glicose baixa no sangue) durante a madrugada, e que precisou ser atendida de urgência. Ao perguntar se ela se sentira muito mal durante a crise, ela me disse: “Não, não&#8230; Eu não costumo ter sintomas de <em>hipo</em>&#8230; Há 10 anos que as <em>hipo</em> não me dão mais sintomas”.</p>
<p style="text-align:justify;">Achei incrível.  Para a paciente, são tão freqüentes as complicações da sua doença que elas tornaram-se íntimas. Tenho certeza de que se fosse a primeira crise, ela falaria “Tive uma&#8230; como é que se chama? Hipoglicemia?”, talvez até errando a maneira de falar a palavra, dependendo do grau de sua instrução e sua capacidade em aceitar a doença. Mas não. É tão comum que a crise ganhou um “apelido”: hipo. Não hipotireoidismo, não hipocolesterolemia, mas hipoglicemia, sua cara. Sua companheira.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes que me xinguem, não estou fazendo ironias; principalmente, não estou criticando a paciente. Acontece que, assim como fala aquele texto ótimo (aqui cabe a ironia!), chamado “eu sei, mas não devia”, a gente se acostuma. Mas eu acho isso bom. Não consigo imaginar o grau de sofrimento da pobre paciente se não se acostumasse a lidar com seus problemas. Se não se acostumasse a ponto de tornar-se íntima e chamá-la pelo apelido. É difícil. Fico na dúvida, porém, se essa conformação deva ser incentivada, em detrimento da batalha pela cura. Talvez o que eu pense é que, a partir de hoje, meu objetivo agora será ajudar meus futuros pacientes a não chegar ao ponto de criar apelidos. Vai ser um dos critérios da escala Primo: “Chama a doença pelo apelido? 1 ponto: sim; 0 ponto: não”.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/335/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=335&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Garota Única</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 19:41:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Garota Única Desolado por ter passado dez dias em Santa Catarina e não ter conhecido nenhuma argentina (até por não fazer muita questão), entrei com meu mochilão e cacarecos no ônibus arrasta-arrasta de Capão Novo para Imbé e sentei ao lado de uma loira bronzeada. Ela estava olhando pela janela ouvindo música no celular. Música [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=327&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>Garota Única</em></h1>
<p style="text-align:center;"><em><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/01/mulher-na-praia_4148_11935.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-328" title="mulher-na-praia_4148_11935" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/01/mulher-na-praia_4148_11935.jpg?w=450" alt=""   /></a><br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;">Desolado por ter passado dez dias em Santa Catarina e não ter conhecido nenhuma argentina (até por não fazer muita questão), entrei com meu mochilão e cacarecos no ônibus arrasta-arrasta de Capão Novo para Imbé e sentei ao lado de uma loira bronzeada. Ela estava olhando pela janela ouvindo música no celular. Música alta.</p>
<p style="text-align:justify;">– Com licença ― disse eu, educadamente.</p>
<p style="text-align:justify;">– Claro!</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">E então ela olhou pra mim com seus longos cabelos lisos esvoaçantes, olhos verdes e só então percebi o quão linda ela era. Escultural. Loira, magra, bronzeada, olhos verdes. Prestei atenção na música que ela estava ouvindo.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">– Jack Johnson? ― arrisquei, com medo de dar uma super-mancada.</p>
<p style="text-align:justify;">– Sim!!!!!! Tu gosta? Eu sou a-pai-xo-na-da!</p>
<p style="text-align:justify;">– Olha, não é meu preferido, mas conheço um pouco para reconhecer essa música ―dei uma de entendido.</p>
<p style="text-align:justify;">– Ah, não é teu preferido porque tu não conhece tanto então. Ele é o má-xi-mo. O que poderia ser melhor que Jack Johnson?</p>
<p style="text-align:justify;">– Olha, eu gosto de Beatles. ―falei com uma inocência de criança.</p>
<p style="text-align:justify;">– Rá-Rá-Rá. Meu <em>pai</em> gosta de Beatles. Ele foi no show de um deles agora em Porto Alegre.</p>
<p style="text-align:justify;">– Ah, sim. O Paul McCartney. Eu também fui.</p>
<p style="text-align:justify;">– Ah, mas então tu é fã mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">– É, sou, sim ―e dei um sorrisinho amarelo.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">Toca meu celular. Recebo uma mensagem. Ela espia meu celular. A mensagem está em francês. Eu não entendo ovo. Peço tradução para a remetente.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">–  Tu fala francês? ―ela veio puxar assunto!</p>
<p style="text-align:justify;">–  Não, não! Hahaha. Eu não entendi o que estava escrito!</p>
<p style="text-align:justify;">–  Ah tá. É que sei lá, tu veio de mochilão, gosta de Beatles, fala francês, tava achando muito estranho.</p>
<p style="text-align:justify;">–  Hahahaha. ―Dei uma risada de “não entendo por que tu achaste estranho”.</p>
<p style="text-align:justify;">–  Era tua namorada? ― o interesse, sim, é que estava estranho!</p>
<p style="text-align:justify;">– Era.</p>
<p style="text-align:justify;">– Hmmmmm&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">Cri-cri-cri. Recebo outra mensagem. Dou uma risada. Respondo.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">– De onde ela é?</p>
<p style="text-align:justify;">– Caxias, mas a gente se conheceu na faculdade.</p>
<p style="text-align:justify;">– Ah, tu faz faculdade? De quê?</p>
<p style="text-align:justify;">– Medicina. E tu?</p>
<p style="text-align:justify;">– Uuh, que chique&#8230; Onde?</p>
<p style="text-align:justify;">– Na UFRGS. E tu? ―insisti.</p>
<p style="text-align:justify;">– Faço direito. Na PUCRS.</p>
<p style="text-align:justify;">– Ah, legal.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">Outra mensagem. Dou uma risada mais alta.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">– Onde tu vai descer? – pergunto.</p>
<p style="text-align:justify;">–  Em Capão, e tu?</p>
<p style="text-align:justify;">– Só em Imbé.</p>
<p style="text-align:justify;">– Ah tá. Ok, tenho que ir para a frente porque já vou descer.</p>
<p style="text-align:justify;">– Hmmm&#8230; Olha só. Eu te menti uma coisa. ―arrisquei.</p>
<p style="text-align:justify;">– Sério? O quê? ―ela me olha meio decepcionada.</p>
<p style="text-align:justify;">– Minha colega da faculdade. Ela não é minha namorada. É só minha colega.</p>
<p style="text-align:justify;">– Hmmmm&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Dei um beijo caloroso na garota e pedi o MSN. Disse que ia adicionar ela hoje à noite. Era uma guria única. Jamais encontraria outra igual. Chego em casa e invento um <em>post</em> para meu blogue.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo, </em></p>
<p style="text-align:right;"><em>em uma história baseada parcialmente – bem parcialmente – em fatos reais.</em></p>
<p style="text-align:right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:left;">P.S.: Como em menos de 5 minutos de postagem já me causaram confusão, seguem algumas explicações:</p>
<p style="text-align:left;">* Sim, a garota existiu;</p>
<p style="text-align:left;">* Sim, eu recebi a mensagem em francês;</p>
<p style="text-align:left;">* Não, apesar das coincidências, quem me mandou a mensagem não foi a Giovanna;</p>
<p style="text-align:left;">* Não, eu não tenho nada contra o direito da PUC. Ela realmente cursava esse curso nessa universidade;</p>
<p style="text-align:left;">* Não, ela não é uma garota única.</p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/327/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=327&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Quarenta Graus de Febre!</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Jan 2011 03:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Quarenta Graus de Febre! Em uma tirinha, Mafalda pergunta ao seu mercenário amigo: - Por que tu não gostas dos Beatles, Manoelito? Este responde ferozmente: - Eles me enjoam e me dão uma febre de quarenta graus! Mafalda, um pouco surpresa com a resposta do Manoelito, retruca: - Mas como?! Tu não admiras os milionários?&#8230; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=321&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;">Quarenta Graus</h1>
<h1 style="text-align:center;">de Febre!</h1>
<p><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/01/the_beatles_y_mafalda_by_snowmoon22.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-322" title="The_Beatles_y_Mafalda_by_SnowMoon22" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2011/01/the_beatles_y_mafalda_by_snowmoon22.jpg?w=300&#038;h=227" alt="" width="300" height="227" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Em uma tirinha, Mafalda pergunta ao seu mercenário amigo:</p>
<p style="text-align:justify;">- Por que tu não gostas dos Beatles, Manoelito?</p>
<p style="text-align:justify;">Este responde ferozmente:</p>
<p style="text-align:justify;">- Eles me enjoam e me dão uma febre de quarenta graus!</p>
<p style="text-align:justify;">Mafalda, um pouco surpresa com a resposta do Manoelito, retruca:</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas como?! Tu não admiras os milionários?&#8230; Os Beatles <strong>são</strong> milionários!</p>
<p style="text-align:justify;">- Oras! E tu acreditas que <strong>isso</strong> muda em algo a minha opinião sobre os Beatles? Hãaa?!</p>
<p style="text-align:justify;">O simpático Felipe, percebendo o tumulto, intromete-se na conversa:</p>
<p style="text-align:justify;">- O que tem os Beatles?</p>
<p style="text-align:justify;">Manoelito volta-se a ele e discursa:</p>
<p style="text-align:justify;">- Eles me enjoam e me dão uma febre de trinta e sete graus!</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">Certa vez já declarei aqui neste blogue a minha idolatria ao cartunista Quino, criador da Mafalda. Um dos fatores que contribuem para isso é que nunca se soube, de fato, se Quino era de direita ou de esquerda: ao passo que criticava veementemente toda aquela baboseira ideológica de EUA versus URSS dos anos 60 – e sendo, por isso, taxado de comunista pela nação do Rio da Prata –, em algumas tirinhas ele se saía com frases como “a sopa está para a infância como o comunismo está para a democracia”, ditas pela boca da sua personagem-chefe, uma menininha que odiava sopa. Desse modo, quando o rotulavam, chamavam-no de humanista (o que, convenhamos, não deixa de ser um elogio), lutando pelos direitos iguais, pela paz e pela exaltação dos valores culturais.</p>
<p style="text-align:justify;">E aí entrou a mistura com os Beatles.</p>
<p style="text-align:justify;">Acontece que, assim como a Mafalda, os Beatles revolucionaram o mundo sem precisar falar “<em>let’s break the wall</em>”, tal como faria Pink Floyd posteriormente. Tampouco precisaram ser um Jimmi Hendrix da guitarra imitando bombas caindo e explodindo com o instrumento. Tudo que eles precisaram falar foi “<em>I wanna hold your hand</em>” (quero segurar tua mão). No máximo um “<em>She loves you, I love her, we love each other</em>” (ela te ama, eu a amo, nós nos amamos). Só isso. E o Quino o percebeu de cara, fazendo da menininha uma ardorosa fã da banda.</p>
<p style="text-align:justify;">Frases simples de amor, embaladas pelo empolgante ritmo do rock’n roll, eram exatamente o que o mundo precisava na época – e posso afirmar com unhas e dentes que ainda são o que se precisa até agora. Na União Soviética havia aquela enorme censura imposta desde Stalin, mas, mesmo no governo de Nikita Khrushchov – conhecido por amenizar o pesado legado stalinista – e no do amedrontador Brejnev, ela ainda estava presente. Entretanto as pessoas não clamavam por protesto. Tudo o que elas queriam era liberdade, paz, amor – o que podia ser feito de uma maneira bastante simples. Até mesmo por milionários. Foi assim que os Beatles foram entrando vagarosamente – e clandestinamente – na URSS e logo tomaram conta daquele país – que viria a recepcionar parte daquele grupo somente em 2003, com o show inédito de Paul McCartney na praça vermelha. O mesmo se aplica à Mafalda, traduzida para mais de 30 idiomas (incluindo o russo).</p>
<p style="text-align:justify;">Ao mesmo tempo, depois de separados, individualmente os <em>fab4</em> começaram a dar uma certa dor de cabeça para o lado direito da força. George Harrison começou a pirar na batatinha com as doutrinas indianas (segundo ele mesmo diz, quando percebeu que ia ser esfaqueado por Michael Abram, começou a gritar “<em>Hare Krishna</em>” para o louco), o que começou a criar um clima de tensão com a política capitalista. Sem falar no John Lennon que, também pirado, ficou nu com a Yoko Ono em uma cama aos olhos da mídia, clamando por paz e pelo fim da Guerra do Vietnã. Já a Mafalda, ao ser reprimida pelo pai, que disse que o Vietnã não era assunto para crianças, soltou um “e se você me explicasse sem as partes pornográficas?”.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas no fim, os Beatles agradaram a todos: esquerda, direita, Mafalda e Manoelito. Não com idéias políticas, mas com idéias universais. Quando a Mafalda virou para a direita e falou “bom dia, ocidente”, e, em seguida virou para a esquerda e falou “bom dia, oriente”, ela ouviu um eco. E disse: “refletiu na maldita cortina de ferro!”. Mas se a cortina hoje não é mais de ferro – de porcelana, talvez –, não há porque exaltar tanto os anos 70, e muito menos o Gorbatchov: o que faz o mundo mudar são atitudes como a dos Beatles e de sua estimada fã, Mafalda.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/321/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=321&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Dor de Parto</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 05:31:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Dor de Parto &#160; Ontem estava em uma conversa com minha tia avó – uma senhora adorável de 85 anos, sempre muito bem estimada por mim – em que ela estava me contando sobre sua nova função de membro do comitê de ética de um hospital aqui de Porto Alegre, promoção a qual recebera por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=315&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>Dor de Parto</em></h1>
<p style="text-align:center;"><em><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2010/12/images.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-316" title="images" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2010/12/images.jpg?w=450" alt=""   /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;">Ontem estava em uma conversa com minha tia avó – uma senhora adorável de 85 anos, sempre muito bem estimada por mim – em que ela estava me contando sobre sua nova função de membro do comitê de ética de um hospital aqui de Porto Alegre, promoção a qual recebera por trabalhar anos com familiares de pacientes com mal de Alzheimer, auxiliando-os nos cuidados domiciliares – conhecimento adquirido após lidar anos com seu falecido esposo, que tinha a doença. Um dos casos que ela me relatava foi de um médico que estava desenvolvendo um dispositivo acoplado em um acesso venoso periférico de parturientes o qual liberava anestésicos à medida que detectava aumento da dor do parto.</p>
<p style="text-align:justify;">Segundo ela, o projeto estava sendo aprovado em reunião por todos os médicos, até que chegou a vez de ela falar, o que se seguiu de mais ou menos as seguintes palavras:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Olha, me desculpem vocês médicos, cientistas, que aprovam um estudo com tão boas intenções como esta. Entretanto, vou dar a opinião que nenhum de vocês pode ter, já que eu sou a única aqui que já teve filhos. Primeiramente, não existe ‘dor de parto’, porque parto não dá dor e, sim, contrações. Além disso, quando acontecem as contrações, a mãe percebe que o bebê está se acomodando para que possa nascer da melhor forma possível, sendo essas, então, de fundamental importância para um bom andamento do procedimento. Portanto, sou contra a aprovação do projeto”.</em></p>
<p style="text-align:justify;">O que me espantou, entretanto, não foi a opinião da minha tia avó – estou acostumado com esse tipo de pensamento –, mas sim que o projeto não foi, de fato, aprovado, já que a aprovação depende de unanimidade dos membros do comitê. Confesso que, inicialmente, pensei “coitado do pobre obstetra, impedido de continuar sua pesquisa por causa da minha tia avó de 85 anos”. Mas parei para pensar.</p>
<p style="text-align:justify;">Não sou daqueles fervorosos defensores do ensino da medicina humanizada: acredito que haja disciplinas de mais desse assunto em um currículo enxuto como o do curso de medicina, que, embora seja a graduação mais longa de todas no Brasil, ainda tem um tempo curtíssimo para o aprendizado de todo o conhecimento que a ciência requer. Creio, sim, que o médico tenha de ter uma postura humanizada (muitas vezes perdida ao longo da vida), mas acho que a ciência ainda é primordial já que falta de humanização, por si só, não põe nenhuma vida em risco. Contudo, percebi que, nesse caso específico da minha tia avó, faltou-me formação para ter uma opinião definida.</p>
<p style="text-align:justify;">Digo isso porque, em primeiro lugar, eu realmente nunca tive um filho. Por mais que eu estude, a minha idéia de parto vai sempre estar a quilômetros de distância da idéia de quem já passou por um. Ademais, quem sou eu para dizer que existe, sim, “dor de parto”? Afinal, se quem já passou por 3 diz que não existe, eu tenho direito de negar esse fato?  Aprendi, na faculdade, que a dor é uma soma de um fenômeno físico, chamado “nocicepção”, com um componente psicológico. A nocicepção eu sei que existe, mas, se estão me afirmando que dor de parto não é <em><span style="text-decoration:underline;">dor</span></em> – por seja lá qual mecanismo psicológico desafiador até mesmo de Freud – eu, Lucas, posso dizer que de fato <span style="text-decoration:underline;">é</span> dor, só com base na reação das mães, muitas vezes escandalosas, que gritam desesperadamente <em>como se tivessem </em>dor? Meu superego não deixa. Se minha tia avó sente-se muito mais confortável em chamar o fenômeno de “contrações”, não posso negá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Em segundo lugar, tivemos uma cadeira na faculdade em que, ao estudar para a prova, fazíamos teatrinhos, encenando todo o movimento do bebê na hora do parto, que são, incrivelmente, bastante previsíveis, senão programados (eu não engulo essa do programado, mas minha opinião nisso não interessa a ninguém). Ou seja, será que minha tia avó sentiu esses movimentos? Juro que procurei no PubMed e não achei nada! Fui, então, na fonte superior ao PubMed e a todas as outras fontes bibliográficas, o “Rotinas em Obstetrícia”, do HCPA, e não achei NADA disso. Isso me leva a acreditar no que foi relatado, o que, embora muitas mulheres reclamem, a meu ver torna, de fato, importante as mulheres sentirem as tais <em>contrações. </em></p>
<p style="text-align:justify;">Em contrapartida a tudo isso, tenho certeza de que a maioria das mulheres devem discordar completamente da minha tia avó, já que não querem sentir (sim!) dor (!), afinal é evidente que parto dá dor! Mas será que no auge dos seus 85 anos, com uma lucidez incrível, ela não tem uma experiência muito maior para fazer aquelas afirmações, e será que daqui a alguns anos essa maioria de mulheres não vai pensar igual a ela, dizendo que a dor não é dor e que a <em>contração</em> é importante? Não sei. Incrivelmente minha formação em humanização da medicina ainda tá falha.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/sistemalimbico.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/sistemalimbico.wordpress.com/315/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=315&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Composição</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2010 02:20:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Primo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://sistemalimbico.wordpress.com/?p=308</guid>
		<description><![CDATA[Composição O Peninha – e não Caetano Velloso – , o verdadeiro compositor da música mais brega da MPB (Às vezes no silêncio da noite&#8230;), afirma: “Eu costumo dizer que o compositor é um artista frustrado, porque só quem sabe quem compôs a sua música é você mesmo e a sua mãe”. Eu entendo a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=sistemalimbico.wordpress.com&amp;blog=7433221&amp;post=308&amp;subd=sistemalimbico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><em>Composição</em></h1>
<p style="text-align:center;"><em><a href="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2010/10/compositor-interno.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-309" title="compositor-interno" src="http://sistemalimbico.files.wordpress.com/2010/10/compositor-interno.jpg?w=450" alt=""   /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">O Peninha – e não Caetano Velloso – , o verdadeiro compositor da música mais brega da MPB (Às vezes no silêncio da noite&#8230;), afirma: “Eu costumo dizer que o compositor é um artista frustrado, porque só quem sabe quem compôs a sua música é você mesmo e a sua mãe”.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu entendo a frustração do criador de “Sozinho”; tenho peninha do Peninha, já que nunca fez uma música boa – e a única que fez sucesso não ficou famosa na sua voz – até porque eu concordo que, realmente, a composição de uma canção muitas vezes é mascarada pelo seu executor: “Como Nossos Pais” e “O Bêbado e a Equilibrista” não são da Elis Regina, pois são do Belchior e do João Bosco, respectivamente; “João e Maria” não é do Chico Buarque, é do Sivuca; “Sonho meu” é da Dona Ivone Lara, e não da Maria Bethânia; “Chega de Saudade” não pertence a João Gilberto, e sim a Tom Jobim; “New York, New York” é do Fred Ebb, afinal Frank Sinatra nunca compôs na vida; por fim, a base de “Ave Maria” não é do Gounod, mas de Bach.</p>
<p style="text-align:justify;">Além disso, o compositor ainda tem o problema de que, quem o interpreta, não o faz da maneira que o idealizador pensou exatamente. Ou seja, tudo aquilo que o artista tentou embutir de sentimento, para conseguir expressá-lo à sua maneira, vai por água abaixo, conforme a clássica explicação de Fernando Pessoa (O poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente).</p>
<p style="text-align:justify;">Não bastando a desgraça, direitos autorais dão pouco dinheiro, comparado a shows, fama e sucesso. Para quem duvida, é só perceber que o Caetano está aí aparecendo na televisão, enquanto o Peninha aparece no máximo na rádio AM. O Frank Sinatra morreu rico, enquanto o Belchior está tocando de bar em bar no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, às vezes essas picuinhas podem ser levadas menos a sério e se tornarem até um elogio. O Frank Sinatra mesmo, o maior “ladrão” de composições, chegou a afirmar, em uma entrevista, que “Something”, dos Beatles, era a melhor composição da dupla Lennon/McCartney. Seria um ótimo elogio, se a música não fosse do George Harison. Agora, o Peninha que se morda, mas eu, no lugar do George Harison, não caberia em mim de faceiro com esse engano.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Lucas Primo</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><br />
</em></p>
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