O que nos torna
humanos?

Em um curso como o meu – o de medicina -, lidamos com o ser humano constantemente através da identificação de patologias e o seu cuidado necessário; compreendemos a fisiologia normal do Homo sapiens sapiens e temos conteúdo para perceber o que é possível acontecer para que haja a perda da homeostase (estado de equilíbrio do corpo humano); prolongamos nossas vidas, muitas vezes, em anos; conseguimos melhorar a nossa qualidade de vida; preservamos a nossa espécie. Apesar de tudo isso, poucos médicos sabem dizer quem realmente somos. Frutos da evolução? Frutos do Interesse Divino? Um anti-descartiano diria que nós nem ao menos temos como afirmar que existimos de fato. Veja só o paradoxo: nós conhecemos o funcionamento normal, a patologia, nós prolongamos a vida, melhoramos a qualidade de vida e preservamos a espécie de uma coisa que não sabemos o que é, se é que ela existe. Afinal, o que nos torna humanos?
Quem pode tentar responder essa pergunta não sou eu e, sim um outro paradoxo: um dermatopatologista. Pois é, nada de psiquiatras, neurocientistas ou biólogos evolucionistas. Dono de uma retórica aprumada e de uma cultura excepcional, o professor André Cartell do Hospital de Clínicas, um dos poucos dermatologistas com também especialização em patologia – uma espécie rara fadada à extinção, segundo as próprias palavras -, foi convidado por nós, do Centro Acadêmico Sarmento Leite, a dar uma palestra na Semana Acadêmica com o fim de solucionar essa questão. O resultado é um texto belíssimo, que, apesar de ter 8 páginas (um tanto absurdo, diriam alguns, nesse mundo do Twitter), pode ser lido em uma sentada e nos dá uma lição de auto-conhecimento. Segue o link, e tenham bom proveito.
http://pt.scribd.com/doc/56146319/O-QUE-NOS-TORNA-HUMANOS-%E2%80%93-UMA-VISAO-DARWINISTA
Lucas Primo